Dólar cai diante de maiores chances de impeachment

Com o real cada vez mais desvalorizado perante o dólar, indicando uma proporcional fraqueza da economia brasileira, as especulações sobre o que acontecerá com a moeda americana em 2016 parecem refletir o clima de impeachment que ronda a política brasileira.

Com um total impasse político, as empresas não sabem se devem se arriscar, se devem se proteger ante as incertezas sobre a política e a economia ou, ainda, se devem aproveitar a crise para lucrar com ela.

Se a Dilma cair, o dólar sobe?

Tudo indica que se a Presidente Dilma Rousseff cair, que o dólar venha a disparar. Isso parece ser uma grande oportunidade para aqueles que souberem aproveitá-la. A alta do dólar reflete as incertezas da política e o aumento do risco, que faz com que o mercado migre para ativos considerados mais seguros, como o dólar.

Ainda que a Presidente caia, não se sabe se o vice-Presidente assumirá ou se novas eleições serão convocadas, já que também há um pedido de impeachment contra o vice-Presidente e um de cassação de mandato contra o Presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha. Essa incerteza causa temor no mercado e, consequentemente, a alta do dólar.

O Banco Central e o Tesouro Nacional têm constantemente atuado no mercado de câmbio nos dias em que determinadas notícias políticas estremecem o mercado financeiro, o que favorece a baixa do dólar.

ano mês aberto máximo mínimo final média
2015 Outubro 3.95 4.60 3.62 4.11 4.03
Novembro 4.11 4.95 3.89 4.42 4.27
Dezembro 4.42 5.34 4.20 4.77 4.60
2016 Janeiro 4.77 5.54 4.36 4.95 4.86
Fevereiro 4.95 5.62 4.42 5.02 4.99
Março 5.02 5.61 4.41 5.01 5.02
Abril 5.01 5.78 4.54 5.16 5.09
Maio 5.16 6.32 4.96 5.64 5.40
Junho 5.64 6.53 5.13 5.83 5.74
Julho 5.83 6.68 5.24 5.96 5.90
Agosto 5.96 6.91 5.43 6.17 6.07
Setembro 6.17 7.08 5.56 6.32 6.25
Outubro 6.32 7.44 5.84 6.64 6.48
Novembro 6.64 7.74 6.08 6.91 6.78
Dezembro 6.91 7.77 6.11 6.94 6.93
2017 Janeiro 6.94 7.82 6.14 6.98 6.96
Fevereiro 6.98 7.78 6.12 6.95 6.97
Março 6.95 7.73 6.07 6.90 6.93
Abril 6.90 7.55 5.93 6.74 6.82
Maio 6.74 7.32 5.76 6.54 6.64
Junho 6.54 7.29 5.73 6.51 6.53
Julho 6.51 7.41 5.83 6.62 6.57
Agosto 6.62 7.62 5.98 6.80 6.71
Setembro 6.80 7.82 6.14 6.98 6.89
Outubro 6.98 7.57 5.95 6.76 6.87
Novembro 6.76 7.47 5.87 6.67 6.72

Fonte:  http://longforecast.com/fx/previsao-do-dolar-para-2015-2016-e-2017.html

Dólar não é coisa só de ricos

Para interferir, o Banco Central do Brasil se utiliza de alguns instrumentos: contratos de “swaps cambiais”, leilões de linha e venda direta de dólares. Os swaps ocorrem para que não haja retirada de recursos do país (dólares), e tem sido utilizado desde junho de 2013, quando o dólar chegou ao patamar de R$ 2,40.

É comum ouvir nas ruas as pessoas dizerem que não dão a mínima para a alta ou baixa do dólar. Esse pensamento reflete a ignorância de uma grande parcela da população que desconhece que o dólar alimenta a inflação. Muitos produtos utilizados na indústria nacional têm sua matéria-prima importada, consequentemente o produto se torna mais caro e a inflação sobe. Tudo isso preocupa o Banco Central.

Cautela X temor

Você investiria o seu dinheiro em um cenário como o do atual Brasil? Cautela parece não ser a palavra mais exata para indicar a ação dos investidores no mercado brasileiro. Aqueles que ainda têm capital para investir parecem estar procurando outros mercados e, aqueles que já investiram, temem.

Um bom exemplo é o da multinacional brasileira Vale. A mineradora reduziu os investimentos para o ano de 2016, dos US$ 8,2 bilhões investidos em 2015, para US$ 6,2 bilhões para o próximo ano. Em 2014 o investimento da empresa foi de US$ 7,6 bilhões, e os investimentos devem continuar sendo reduzidos pelo menos até 2020.

Instabilidade durante o processo de impeachment

Ainda que a Presidente não caia, na atual situação econômica do país, não há dinheiro para investir. Para que o empresariado aceite financiar novos investimentos ela terá que atrair a confiança deles e, enquanto houver dúvidas, parece que não haverá investimentos.

Apesar das intervenções que o Banco Central tem feito seguidamente no mercado cambial brasileiro, isso não visa conter a alta da moeda americana, mas evitar o sobe e desce constante da moeda, e assim permitir que os mercados funcionem com normalidade.

Na realidade, o Banco Central não tem o que fazer em relação ao dólar nesse momento. A volatilidade do dólar está ocorrendo devido a um fator político. Se a situação política favorecer o governo, o dólar cairá sem intervenções.

“No atual cenário de instabilidade, todos perdem, já que nossos maiores exportadores veem o preço de seus produtos caírem em proporções maiores que a alta do dólar”, afirma José Kobori, professor de finanças do Ibmec/DF. “E essa alteração no câmbio influencia negativamente uma inflação já galopante, prolongando ainda mais uma política monetária contracionista.”

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