Má fase da economia brasileira leva empresas a abrirem filiais no exterior

A recuperação da economia da Europa e dos Estados Unidos, que estavam em recessão desde 2008, parece ter acabado, ou pelo menos mostra menos sinais de fraqueza comparado ao que acontece atualmente no Brasil.

Muitos empresários acreditam que seja apenas uma fase e o próprio espirito empreendedor os leva a querer explorar novos territórios ou expandirem suas conquistas em terras distantes, que, nesse momento, se mostram mais fecundas que as nossas. Qualquer investimento em solo nacional exige cautela.

Por que as empresas vão para o exterior?

A internacionalização das empresas brasileiras tem crescido mesmo com a crise. Mudar ou expandir uma empresa para um outro país pode ser um processo longo, desgastante e custoso, independentemente do tamanho que ela tenha.

Essa parece ser uma tendência mundial, empresas como Facebook e a Apple abriram suas filiais em Dublin. A maior empresa de educação coorporativa do Brasil, a Affero Lab, abriu sua filial em Dublin e gera atualmente mais de 40 postos de trabalho diretos na Irlanda.

“O Centro de Operações da empresa na Europa, em Dublin, irá desempenhar um papel essencial na estratégia de internacionalização da Affero Lab, alavancando nossos investimentos em produtos e tecnologias inovadoras e irá ajudar a crescer nossas receitas em novos mercados internacionais, fora da América Latina”, diz O CEO, Martin Shanahan.

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Fonte: http://epocanegocios.globo.com/Revista/Epocanegocios/0,,EDR80417-8386,00.html

Impostos

As empresas podem economizar grandes fortunas em impostos em países estrangeiros que tenham um regime fiscal mais favorável para elas. A Irlanda cobra um imposto de 12,5% sobre os rendimentos de uma empresa. Parece uma opção muito atraente quando se é confrontado com tributos mais elevados em casa e quando não se tem o lucro esperado em virtude das situações economias que o país apresenta.

Para os pequenos empresários que, muitas vezes, são os mais afetados pela crise e não recebem o retorno esperado de seus impostos, a Irlanda exige um investimento de, no mínimo, 300 mil euros. Além disso o país oferecer programas de auxílio a empreendedores estrangeiros como o Immigrant Investor e o Tart-up Entrepreneur Programme (STEP). O Governo Irlandês declarou que quer ser o melhor “pequeno” país para se abrir uma empresa.

Os ganhos de empresas brasileiras no exterior devem ser declarados, e sim, esses sofrem tributações de, em média 15%. Ganhos de até 35 mil reais no exterior estão livres de tributação.

Mas, por exemplo, se você comprar ações ou investir esse lucro em moeda estrangeira em algum tipo de fundo, no momento de resgatar, calcula-se a diferença entre compra e venda em dólares americanos e o valor é convertido então em reais, para que o lucro da operação seja definido. A incidência de imposto se dará, se houver algum lucro. Em cima desse lucro, convertido em Reais, incidem os impostos, em média 15%. Caso seja uma outra moeda, que não seja o dólar, você deverá calcular os preços de compra e venda da ação ou Exchange Traded Fund, sempre em dólares americanos.

Desafios no exterior

“Existem informações sobre um lugar que estão documentadas e outras que são subjetivas. É preciso verificar se há afinidade com o seu tipo de negócio ou se o produto é bem aceito. No caso dos bares, por exemplo, em países mais conservadores, não é possível beber na rua, e o horário de funcionamento é mais restrito”, declara Gilberto Campião, consultor de exportação do Sebrae-SP (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo).

Além disso saber gerenciar as finanças em moeda estrangeria e não perder o vínculo com a matriz brasileira. É necessário um encaixe de uma ou mais culturas para que o negócio seja em sucedido e não uma reação de fracasso em cadeia. Conquistar um cliente estrangeiro exige novas técnicas, já que se trata de um outro perfil completamente diferente do consumidor brasileiro.

A movimentação financeira entre países também exige conhecimento de leis internacionais sobre remessas de dinheiro, faturamento, regulamentação, abertura e fechamento de empresas, contratos, impostos a serem pagos para o país de origem e também o de destino etc.